O que Reggio Emilia pode nos ensinar durante uma viagem para educadores?

avatar Diálogos Viagens Pedagógicas - 12 de fevereiro de 2019

viagens pedagógicas

Um movimento cívico de mulheres. Um jovem professor fascinado. E um destes encontros da vida que agradecemos eternamente por ter acontecido.


Esta ideia pareceu-me incrível! Corri até lá em minha bicicleta e descobri que tudo aquilo era verdade. Encontrei mulheres empenhadas em recolher e lavar pedaços de tijolos. As pessoas haviam-se reunido e decidido que o dinheiro para começar a construção viria da venda de um tanque abandonado de guerra, uns poucos caminhões e alguns cavalos deixados para trás pelos alemães em retirada. (MALAGUZZI, 1999, p.59)

 

Assim começa o nascimento da abordagem educativa da cidade de Reggio Emilia, idealizada pelo professor Loris Malaguzzi.


Para quem já teve o privilégio de conhecer a região pessoalmente, consegue sentir suas paredes impregnadas por cheiros, sentidos, histórias. A impressão é que, se olharmos atentamente, cada pequeno ambiente é capaz de nos contar algo.


Em todas as escolas, podemos observar:

  • A valorização das linguagens das crianças
  • A organização dos espaços
  • Equipes colaborativas
  • Participação ativa dos pais

Visitar pessoalmente essas escolas e sentir que em cada um destes ambientes há o cuidado em observar e dar subsídios às potencialidades das crianças é realmente único. Entender a criança como protagonista é expandir possibilidades, é entender que para cada desafio, existirão infinitas respostas e caminhos onde todas elas levarão muitas vezes aos mesmos lugares, mas não de maneira óbvia.


Em Reggio Emilia, as crianças são inspiradas por seu próprio interesse em conhecer e aprender, dotados por uma compreensão individual sobre como construir a aprendizagem por conta própria, tendo os professores como parceiros, Elas são tratadas como colaboradoras ativas da educação, e não como observadoras passivas.

A abordagem Reggiana enfatiza o trabalho em pequenos grupos, baseando-se na ideia de que nos formamos quando interagimos com pares, adultos e com o meio ao redor. Uma pedagogia que se baseia na força das relações.


No livro “As Cem Linguagens da Criança”, Loris Malaguzzi traz o conceito de que as crianças são comunicadoras naturais e que elas devem ser encorajadas a se comunicarem por qualquer meio que puderem. Sejam eles palavras, movimentos, desenhos, pinturas, construções, esculturas e outros.


Por isso, é sempre tão importante que o ambiente de aprendizagem da criança tenha diferentes materiais disponíveis para que ela se expresse da melhor forma. O ambiente atua como um educador: um organismo vivo, local de encontros, diálogos e relacionamento compartilhado entre crianças, professores, pais, onde ele se sinta acolhido e autêntico - cada um é único!


Os professores  têm a missão de identificar quando um conceito pode ser usado para que as crianças descubram e aprendam mais. Como mentores, eles não planejam projetos ou pontos de aprendizagem com antecedência; eles permitem que os projetos surjam com base do que as crianças demonstram interesse.


Outro ponto bastante importante na abordagem da cidade de Reggio Emilia está na documentação. Além de mentores, os professores também são responsáveis por documentar todo o processo de aprendizagem das crianças dentro dos espaços de convivência e transcrevem a linguagem verbal usada pelas crianças. Utilizam de recursos fotográficos e de vídeo para compreender melhor seus alunos e, desta forma, ajudam a tornar mais consciente para os pais as atividades de seus filhos.


Presentes na educação dos filhos, a abordagem  transforma os pais em verdadeiros parceiros das investigações e companheiros no processo de aprendizagem.

 

Para saber mais detalhes sobre o que Reggio Emilia pode nos ensinar?

Leia agora o diário de bordo de Fabiane Vitiello.


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