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Uniforme escolar - Marcas do indivíduo - Modelos que diferenciam

avatar Eduardo Ferreira - 06 de Fevereiro de 2020

uniforme escolar

Início de ano. Uniformes novos, limpos e engomados iniciam sua saga de testemunhas de mais uma etapa. 

Cada escola desenvolve seus próprios modelos, com suas cores de escolha, seus tecidos, mangas longas, regatas, calças compridas, shorts, blusões. Logotipos variados com seus desenvolvimentos envoltos em marketing, numerologia, teoria das cores. Bom gosto colocado à prova. Uma ou outra se preocupam com o bem-estar da criança: transpiração, ventilação. 

Mas afinal de contas, o que o uniforme escolar carrega em si? 

O conceito de uniforme data do século XV, e foi instalado inicialmente pelos militares para destaca-los por suas patentes. No Brasil, as “Escolas Regulares” que formavam professores foram as precursoras. Ao que tudo indica, historicamente, o uniforme tem a função de identificação de um grupo. Em segundo plano, com o passar do tempo e a adoção pelas instituições particulares, também o desejo de promoção passou a integrar a peça.

Ocorre que o uniforme escolar ultrapassa seus conceitos mercadológicos e não se presta, também, apenas a destacar determinado grupo. Ele, como já dito, tem sua importância estampada a cada dia. Testemunha de tantas aventuras, alegrias, brincadeiras e tombos. Pinturas, escaladas, refeições e escorregadas. É o companheiro da criança no seu dia a dia, imprimindo diariamente as marcas da infância, que os impregna de sonhos e vivências. 

Não se pode esperar que, tirados de suas embalagens originais, os uniformes tracem caminhos semelhantes para crianças diferentes. Dos ousados, o uniforme se expõe a rasgos e esfoladas. Dos distraídos, gotas de tinta e embatumados de cola líquida. Individualidades. À medida em que o uniforme acumula suas marcas, tão mais intensa está sendo a vivência da criança.

Ele também diz muito sobre a escola. A oferta disponível às crianças vai fazendo morada em seus uniformes, assim como dizem também sobre que tipo de professores somos. Onde estão as marcas de nossas crianças em nós? Suas lágrimas devem estar em nossos ombros, suas tintas em nossos colos, e sua alegria, sua sujeira e suas lembranças devem compor nossas roupas e nossas histórias. 

Você já parou pra pensar o papel do uniforme em sua escola? O que quer com ele? O que vê nele? Será mesmo necessário? Quais marcas ele traz em sua memória?

Deixemo-nos sujar nossos uniformes de vida e convivência, crianças e educadores, não para que eles nos igualem, muito menos para que nos separem. Mas para que nos identifiquem individualmente, a partir de nossas pluralidades.

 

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